Global Thinking: ON-MERRIT recommendations for maximising equity in open and responsible research

. 26 de Abril de 2022

No decorrer do projeto ON-MERRIT (Observing and Negating Matthew Effects in Responsible Research & Innovation Transition) procurámos compreender o nível de adoção da Ciência Aberta e Investigação Responsável e o seu impacto nos setores académico, empresarial e político. A partir dos resultados preliminares dos estudos desenvolvidos, e num processo de co-criação com decisores políticos, investigadores e representantes de entidades financiadoras, foi desenvolvido um conjunto de recomendações no sentido de assegurar que existem recursos para a Ciência Aberta, de melhorar a colaboração entre cientistas e a sociedade, para que as práticas de Ciência Aberta sejam reconhecidas e devidamente recompensadas.

As recomendações Global Thinking. ON-MERRIT recommendations for maximising equity in open and responsible research pretendem mitigar as desigualdades encontradas e desenvolvem-se a partir de quatro eixos de ação:

  1. A necessidade de recursos para a Investigação Aberta: Pôr a Ciência Aberta em prática requer recursos e as desigualdades que existem entre instituições, nações, e regiões do mundo criam vantagens para aqueles que deles dispõem, em termos da sua capacidade de se envolver nestas práticas. Assim, este grupo de recomendações visa mitigar este efeito, pela partilha de recursos, infraestruturas e materiais de formação, pela colaboração entre países e instituições, e pelo apoio das entidades financiadoras.
  2. Taxas de processamento de artigos e estratificação da publicação em Acesso Aberto: O modelo de taxa de processamento de artigos (APC) no âmbito da publicação de Acesso Aberto discrimina os investigadores e instituições com menos recursos. Assim recomenda-se uma maior transparência relativamente aos custos e serviços prestados pelos editores, bem como o apoio a infraestruturas de publicação abertas, modelos de publicação alternativos e em consórcio, ao auto-arquivo de publicações e à implementação de estratégias de retenção de direitos.
  3. Inclusão social na investigação e na elaboração de políticas: A Ciência Aberta e a Investigação e Inovação Responsável visam uma maior igualdade de acesso ao conhecimento científico e à elaboração de políticas, mas através dos estudos realizados verificámos que este propósito ainda não foi atingido. Assim, as recomendações vão no sentido de um maior intercâmbio de conhecimento entre investigadores, decisores políticos e públicos, da produção de resultados compreensíveis e em vários idiomas, e de uma maior participação do público no processo científico e de elaboração das políticas.
  4. Reforma dos sistemas de recompensas e reconhecimento: As estruturas de recompensa e reconhecimento nas organizações e financiadores que realizam investigação muitas vezes não apoiam a adoção de práticas de investigação abertas e responsáveis. Isto pode desencorajar a adoção destas práticas ou prejudicar aqueles que as seguem. Assim, é necessário proceder a uma mudança na cultura de avaliação, relegando para segundo plano os indicadores quantitativos e passando a valorizar a qualidade, abertura, colaboração e responsabilidade na investigação. Estas práticas devem ser apoiadas pelas entidades financiadoras e recompensadas pelas instituições.

Pode encontrar o texto integral das Recomendações aqui: https://doi.org/10.5281/zenodo.6276753.

Antónia Correia

Membro do Gabinete de Gestão de Informação Científica, Repositórios e Ciência Aberta dos Serviços de Documentação e Bibliotecas da Universidade do Minho.

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