Reframing Repositories: 6 Narrativas que redefinem o papel dos repositórios digitais

. 28 de Outubro de 2026

Num contexto em que a comunicação científica depende cada vez mais de infraestruturas digitais, os repositórios assumem um papel estratégico que vai muito além do simples armazenamento de artigos e dados. A iniciativa Reframing Repositories da COAR propõe seis narrativas que ajudam a compreender porque os repositórios são hoje elementos essenciais para a Ciência Aberta, a preservação do conhecimento e a construção de um ecossistema académico mais sustentável.

1. O valor público ainda por explorar dos repositórios de Acesso Aberto

Os repositórios de Acesso Aberto são frequentemente vistos apenas como locais de depósito de publicações. No entanto, esta narrativa destaca a sua capacidade para gerar valor público, tornando os resultados da investigação financiada com recursos públicos acessíveis a investigadores, profissionais, decisores políticos e cidadãos. Ao promoverem a circulação do conhecimento sem barreiras económicas, os repositórios ampliam o impacto social da ciência e fortalecem a ligação entre investigação e sociedade.

Em destaque:
Os repositórios de Acesso Aberto
:
– Aumentam a visibilidade e reutilização da investigação;
– Democratizam o acesso ao conhecimento científico;
– Potenciam o retorno do investimento público em ciência;
– Favorecem a inovação e a colaboração.

2. Salvaguardar a soberania digital através da gestão e preservação local

À medida que a informação científica fica concentrada em plataformas comerciais globais, cresce a preocupação com a dependência tecnológica e a perda de controlo institucional sobre conteúdos e dados. Esta narrativa defende os repositórios como instrumentos de soberania digital, permitindo às instituições e aos países preservar, gerir e controlar os seus próprios ativos de conhecimento a longo prazo.

Em destaque:
Os repositórios contribuem para:
– Preservação digital sustentável;
– Controlo local sobre conteúdos científicos;
– Redução da dependência de plataformas externas;
– Resiliência das infraestruturas de conhecimento.

3. Os repositórios desbloqueiam o potencial da investigação multilingue

Grande parte da comunicação científica continua dominada pelo inglês, o que pode limitar a visibilidade de resultados produzidos noutras línguas. Esta narrativa mostra como os repositórios ajudam a valorizar a diversidade linguística, oferecendo espaços onde a produção científica local e regional pode ser preservada, descoberta e utilizada por diferentes comunidades.

Em destaque:
Os repositórios:
– Tornam visível a investigação em múltiplas línguas;
– Apoiam a diversidade cultural e científica;
– Reforçam a relevância local da investigação;
– Facilitam a circulação global de conhecimento diverso.

4. O papel dos repositórios na integridade da investigação

Num período marcado pela proliferação de conteúdos gerados por inteligência artificial, problemas de reprodutibilidade e fraudes científicas, os repositórios podem desempenhar um papel decisivo na preservação da confiança no registo científico. Ao disponibilizarem versões verificáveis de publicações, dados, software e outros resultados da investigação, contribuem para a transparência e para a rastreabilidade da produção científica.

Em destaque:
Os repositórios reforçam:
– Transparência científica;
– Rastreabilidade dos resultados;
– Verificação e reprodutibilidade;
– Confiança no conhecimento científico.

5. Repositórios como participantes ativos no processo de publicação científica

Esta narrativa desafia a visão tradicional de que os repositórios funcionam apenas como arquivos passivos. Hoje, muitas plataformas estão integradas em fluxos de trabalho de publicação, revisão aberta, disseminação e pesquisa de resultados científicos. Os repositórios tornam-se, assim, participantes ativos na comunicação académica e não apenas destinos finais para depósito.

Em destaque:
Os repositórios podem:
– Integrar processos de publicação;
– Apoiar modelos de Ciência Aberta;
– Melhorar a disseminação de resultados;
– Reforçar a interoperabilidade entre sistemas.

6. O contributo dos repositórios para uma avaliação responsável da investigação

A avaliação da investigação está a evoluir para modelos que valorizam mais do que simples métricas de publicação. Esta narrativa destaca como os repositórios podem apoiar práticas de avaliação mais responsáveis, oferecendo informação rica e transparente sobre diversos tipos de resultados científicos, desde artigos e conjuntos de dados até software, relatórios e recursos educativos.

Em destaque:
Os repositórios permitem:
– Valorizar diferentes resultados de investigação;
– Apoiar avaliações mais transparentes;
– Reduzir a dependência de indicadores limitados;
– Reconhecer contributos científicos diversos.

Conclusão

As seis narrativas apresentadas pela COAR mostram que os repositórios são muito mais do que infraestruturas técnicas de armazenamento. São elementos centrais para a Ciência Aberta, para a preservação da memória científica, para a soberania digital das instituições e para a construção de sistemas de conhecimento mais inclusivos, transparentes e sustentáveis. Ao repensarmos o papel dos repositórios, estamos também a repensar a forma como produzimos, partilhamos e preservamos conhecimento para as gerações futuras.

A Equipa RCAAP incentiva fortemente a partilha destas narrativas com os diferentes intervenientes nos workflows mas, acima de tudo, com os vossos líderes institucionais.

 

Post blog escrito com base em: https://coar-repositories.org/what-we-do/reframing-repositories/

 

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Sobre o Autor ()

Membro da equipa do gabinete de Gestão de Informação Científica, Repositórios e Ciência Aberta

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