Estudo sobre adoção da Ciência Aberta e Investigação e Inovação Responsável nas políticas e formação

. 22 de Novembro de 2021

A formação e as competências são aspetos chave para a adoção de Ciência Aberta e práticas de Investigação e Inovação Responsável. No âmbito do projeto ON-MERRIT procedemos a um estudo sobre a adoção da Ciência Aberta e Investigação e Inovação Responsável nas políticas e formação – D3.3 Uptake of Open Science and Responsible Research and Innovation in Policy and Training -, onde procurámos compreender as atuais estruturas institucionais de formação e a sua relação com a adoção de práticas de CA/RRI.

Para este fim, realizámos um questionário a nível internacional para avaliar a participação de investigadores na formação em RRI e CA, as suas práticas e opiniões, bem como o apoio institucional a estas práticas; e entrevistas com representantes responsáveis pela prestação de formação em onze instituições em três continentes para identificar o apoio, as motivações e os obstáculos à CA e RRI do ponto de vista institucional.

O questionário foi distribuído a uma amostra de investigadores com publicações em repositórios era constituído por 5 secções: 1) Práticas relativas a 10 tópicos de CA e RRI: Ciência Aberta, Acesso Aberto, Gestão de Dados de Investigação, Investigação Reprodutível, Revisão por Pares Aberta, Software de Código Aberto, Licenciamento, Integridade na Investigação, Ciência Cidadã e Género; 2) Formação em tópicos de CA e RRI; 3) Apoio institucional; 4) Motivações, barreiras e atitudes dos investigadores em relação à CA/ RRI; e 5) Dados demográficos.

Os resultados do questionário mostram que os conceitos de CA/RRI são vistos favoravelmente, como uma forma mais transparente de fazer investigação, mas mantém-se alguma relutância e dúvidas sobre como pô-los em prática, e que a maioria dos participantes no nosso inquérito não tinha recebido formação em nenhum dos tópicos de CA/RRI mencionados. Os tópicos em que mais formação tinha sido ministrada eram o Acesso Aberto, Integridade da Investigação, Género, Gestão de Dados de Investigação e Ciência Aberta, e os investigadores afirmavam necessitar de mais formação sobre Acesso Aberto, Gestão de Dados de Investigação, Ciência Aberta, Licenciamento, Software de Código Aberto. As instituições são os principais facilitadores para a formação, infraestruturas e acesso a profissionais qualificados de apoio à investigação e conclui-se que é necessário aumentar a oferta de formação em CA.

As entrevistas tinham como finalidade auscultar a familiaridade do entrevistado com a CA e RRI e envolvimento na sua implementação na instituição; aferir as motivações e obstáculos percebidos pelos entrevistados, para a implementação de CA e RRI por parte dos investigadores; e quantificar a formação em CA e RRI disponibilizada pela instituição, fraquezas e oportunidades de melhoria.

Embora, em geral, os investigadores das instituições representadas demonstrassem alguma familiaridade com os conceitos de CA, AA, RRI e Dados FAIR, subsistem mal-entendidos. Os principais obstáculos à implementação de CA/RRI são a falta de incentivos, sensibilização e tempo; preocupações de partilha e questões legais; falta de infraestruturas e serviços; questões culturais/de comportamento; falta de financiamento/recursos; falta de coordenação central dentro e entre instituições; e necessidade de políticas de CA/RRI. Muitos entrevistados mencionaram que a reforma dos critérios de avaliação da investigação e das métricas de publicações funcionaria como incentivo à adoção da CA/ RRI.

Os resultados deste estudo realçam as dificuldades envolvidas na prestação de formação em CA/RRI e serviços de apoio a nível institucional e reiteram o facto de que a formação em CA/RRI é essencial para que os investigadores possam realizar a ciência de uma forma sólida e transparente e cumprir a maioria dos requisitos e mandatos dos financiadores em todo o mundo. Mais trabalho deve ser empreendido para promover infra-estruturas interoperáveis, recursos de formação integrados e formação entre pares, bem como para a formação de pessoal de apoio à investigação e infraestruturas.

Antónia Correia

Membro da equipa de projetos Open Access dos Serviços de Documentação da Universidade do Minho.

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